Quarta-feira, 17 de Julho de 2019
Desenvolvimento sustentável e sustentabilidade

Desenvolvimento econômico ou crescimento econômico?

Desenvolvimento (em geral) é um processo dinâmico de melhoria, que implica uma mudança, uma evolução, crescimento e avanço.

Publicada em 20/05/19 às 11:58h - 29 visualizações

por José Adauto Olimpio - Engº. Agrº., Economista, MSc. em Desenvolvimento e Meio Ambiente


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Ultimamente, tenho voltado a minha atenção para um fato muito comum no noticiário da imprensa falada, escrita e televisada: a atitude de políticos e gestores da coisa pública em mostrar para a sociedade a sua preocupação com o desenvolvimento econômico do País, Estado ou Município. Alguns preferem colocar em outros termos: desenvolvimento sustentável. Mas, será que os mesmos (políticos) estão conscientes do que vem a ser desenvolvimento econômico? Por esta singular razão, resolvi me aprofundar um pouco acerca do que vem a ser crescimento e desenvolvimento econômico. Para tanto, pesquisei em alguns livros que tratam do assunto e na Internet. E confesso que passei a acreditar que tais autoridades pouco ou nada sabem sobre o assunto, ou então, o que é mais grave, estão se aproveitando da ignorância dos cidadãos que os escolheram para gerenciar a coisa pública. Senão vejamos.
Desenvolvimento (em geral) é um processo dinâmico de melhoria, que implica uma mudança, uma evolução, crescimento e avanço.
Desenvolvimento sustentável é o desenvolvimento que procura satisfazer as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem as suas próprias necessidades. É o desenvolvimento capaz de suprir as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade de atender as necessidades das futuras gerações.
Muitas vezes, desenvolvimento é confundido com crescimento econômico, que depende do consumo crescente de energia e recursos naturais. Esse tipo de desenvolvimento tende a ser insustentável, pois leva ao esgotamento dos recursos naturais dos quais a humanidade depende.
O desenvolvimento sustentável sugere, de fato, qualidade em vez de quantidade, com a redução do uso de matérias primas e produtos e o aumento da reutilização e da reciclagem.
Embora os países do Hemisfério Norte possuam apenas um quinto da população do planeta, eles detêm quatro quintos dos rendimentos mundiais e consomem 70% da energia, 75% dos metais e 85% da produção de madeira mundial.
O atual modelo de crescimento econômico gerou enormes desequilíbrios; se, por um lado, nunca houve tanta riqueza e fartura no mundo, por outro lado, a miséria, a degradação ambiental e a poluição aumentam dia a dia.
A diferença entre crescimento e desenvolvimento é que o crescimento não conduz automaticamente à igualdade nem à justiça sociais; o desenvolvimento, por sua vez, preocupa-se com a geração de riquezas, mas tem o objetivo de distribuí-las, de melhorar a qualidade de vida de toda a população, levando em consideração, portanto, a qualidade ambiental do planeta.
O desenvolvimento econômico não se restringe ao crescimento da produção em uma região, mas trata, principalmente, de aspectos qualitativos relacionados ao crescimento. Os mais imediatos referem-se à forma como os frutos do crescimento são distribuídos na sociedade, à redução da pobreza, à elevação dos salários e de outras formas de renda, ao aumento da produtividade do trabalho e à repartição dos ganhos dele decorrentes, ao aperfeiçoamento das condições de trabalho, à melhoria das condições habitacionais, ao maior acesso à saúde e à educação, aos aumentos do acesso e do tempo de lazer, à melhoria da dieta alimentar e à melhor qualidade de vida em seu todo, envolvendo condições de transporte, segurança e baixos níveis de poluição em suas várias conotações.
Celso Furtado definiu desenvolvimento econômico como “um processo de mudança social pelo qual um número crescente de necessidades humanas – preexistentes ou criadas pela própria mudança – é satisfeita através de uma diferenciação no sistema produtivo decorrente da introdução de inovações tecnológicas”.
O crescimento econômico está relacionado ao crescimento da renda nacional per capita, e um país só estará realmente melhorando seu nível de desenvolvimento econômico e social se, juntamente com o aumento da renda per capita, estiver também melhorando os indicadores sociais.
Pode haver crescimento econômico, mas se não houver distribuição justa, não há desenvolvimento. O desenvolvimento, isto é, melhoria das condições de vida da população, depende também do aumento de produtividade, o que ocorre a partir de investimentos na área de ciência e tecnologia, incrementando o crescimento econômico. Com o aumento da produtividade influenciado pelo avanço tecnológico, melhora-se o nível de vida da população, inclusive na área educacional. Atualmente, conceituado como um aumento da produção, este crescimento econômico gera uma série de impactos negativos (degradação) sobre os recursos naturais e ambientais. No longo prazo, estes impactos negativos levam a uma deterioração irreversível das reservas destes recursos, prejudicando, desta forma, o desempenho e a prosperidade das economias.
O desenvolvimento sustentável é composto pelas dimensões econômica, ambiental e empresarial. O objetivo é obter crescimento econômico por meio da preservação do meio ambiente e pelo respeito aos anseios dos diversos agentes sociais, contribuindo, assim, para a melhoria da qualidade de vida da sociedade.
A questão é que, com a degradação dos solos e mares, o aquecimento global, a liquidação da biodiversidade (fauna e flora), a generalizada polarização entre pobres e ricos e a progressiva perda de capacidade do governo, estamos rapidamente nos orientando para impasses estruturais dramáticos, no sentido literal e não fazendo uma associação com o sentido da palavra. Só os desinformados, os mentalmente confusos e os privilegiados pelo processo deixam de perceber o que está em jogo.
Crescimento econômico é o aumento do PIB, ou seja, uma elevação da produção da região considerada. Já o conceito de desenvolvimento econômico está relacionado à melhoria do bem-estar da população.
O desenvolvimento econômico é medido através de indicadores de educação, saúde, renda, pobreza etc.
O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é o critério mais utilizado para comparar o desenvolvimento de diferentes economias. O IDH varia entre 0 e 1. Quanto mais próximo de 1 é o IDH, mais desenvolvida é a economia.
Crescimento econômico é o crescimento contínuo da renda per capita ao longo do tempo. 
Desenvolvimento econômico é um conceito mais qualitativo, incluindo as alterações da composição do produto e a alocação dos recursos pelos diferentes setores da economia, de forma a melhorar os indicadores de bem-estar econômico e social, ou seja, os indicadores de pobreza, desemprego, desigualdade, saúde, nutrição, educação e moradia.
A industrialização é a chave para o desenvolvimento, a partir do aumento da produtividade agrícola, que permite liberar mão de obra e recursos para o setor industrial. Os países que obtiveram sucesso com essa estratégia, como Coréia, Taiwan, Hong Kong, Cingapura, Malásia, Tailândia e Indonésia, adotaram medidas tais como: abertura comercial, altas taxas de poupança, elevados investimentos em educação, políticas fiscais rígidas e orçamento público pequeno em relação ao PIB.
A Organização das Nações Unidas (ONU) usa os seguintes indicadores para classificar os países, segundo o grau de desenvolvimento: Índice de Mortalidade Infantil, Esperança de Vida Média, Nível de Industrialização, Grau de Dependência Externa, Potencial Científico e Tecnológico, Grau de Alfabetização, Instrução e Condições Sanitárias.
De maneira geral, as mudanças que caracterizam o desenvolvimento econômico de uma cidade, região ou país, consistem no aumento da atividade industrial em comparação com a atividade agrícola, migração de mão de obra do campo para a cidade, redução das importações de produtos industrializados e das exportações de produtos primários e menor dependência de auxílio externo.
O desenvolvimento econômico de um país ou Estado-Nação é o processo de acumulação de capital e incorporação de progresso técnico ao trabalho e ao capital, que leva ao aumento da produtividade, dos salários e do padrão médio de vida da população.
O desenvolvimento econômico supõe uma sociedade capitalista organizada na forma de um Estado-Nação, onde há empresários e trabalhadores, lucros e salários, acumulação de capital e progresso técnico, um mercado coordenando o sistema econômico e um Estado regulando esse mercado e complementando sua ação coordenadora.
O extraordinário “desenvolvimento econômico” que vem ocorrendo na China nos últimos 25 anos está transformando um país que era altamente igualitário em um país desigual.
O desenvolvimento econômico decorre tanto da acumulação de capital físico quanto humano, que mantêm entre si certa proporcionalidade técnica: quando um se torna excessivo em relação ao outro, tende a ocorrer o desemprego. No caso de países de renda média, como o Brasil, a escassez é dos dois tipos de capital.
Como o crescimento decorre da acumulação de capital e do progresso técnico, é essencial saber se os empresários estão sendo estimulados a investir e inovar. Se não existirem estímulos, é sinal de que o problema está na falta de uma estratégia de desenvolvimento. Se o problema enfrentado pelos empresários for a falta de mão de obra e de técnicos, o ponto de estrangulamento estará na educação.
Portanto, se não é essa a ideia de desenvolvimento adotada pelos políticos brasileiros, então está na hora de eles “se ligarem”, ou melhor, ligarem o “desconfiômetro” e abandonarem o discurso que afirma estarem preocupados com o desenvolvimento do País, do Estado ou do Município, mesmo porque, jamais poderá haver uma ilha de desenvolvimento cercada de pobreza, miséria, corrupção e atraso por todos os lados.





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