Quinta-feira, 13 de Agosto de 2020
Saúde, segurança e educação

A duração da pandemia Covid 19 será alguns anos

Em resumo, esta situação da balbúrdia sanitária de pandemia e endemia com surtos regionais vai durar vários anos, e ainda não tem uma solução objetivamente demonstrada.

Publicada em 22/07/20 às 11:46h - 39 visualizações

por Dr Paulo Bittencourt


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A duração da pandemia COVID 19, que já matou meio milhão de pessoas, pode ser assustadora. Em vários estados americanos e brasileiros repiques e novos surtos já ocorreram quando reabrem. Outros tem surtos atrasados também após reabrirem, como é o caso de Curitiba e dos estados do Centro-Oeste brasileiro. Vai ficando claro que a balbúrdia sanitária só vai terminar por invasão alienígena, milagre divino, pela disponibilidade maciça de vacinas, ou pela imunidade de rebanho. A surrealidade da aparente brincadeira das duas primeiras possibilidades se faz necessária pela esdrúxula reação dos líderes dos dois maiores países do hemisfério, EUA e Brasil. Trump e Bolsonaro são os homens mais ridicularizados do mundo hoje em dia. As duas outras possibilidades, vacinas e imunidade de rebanho, vão ainda demorar um longo tempo.
https://www.mdlinx.com/neurology/top-medical-news/article/2020/04/29/7673684
O relatório CIDRAP da University of Minnesota de maio de 2020 leva em conta períodos de incubação, períodos assintomáticos e a capacidade de reprodução viral, em comparações dos vírus influenza com o novo coronavirus. A conclusão é que a COVID 19 é pior devido ao período de incubação mais longo, mais infecções por contágio de assintomáticos, e uma capacidade de reprodução maior que da influenza. O cálculo em maio era que a imunidade de rebanho seria atingida em 2 anos, no meio de 2023. Na época, a escola de Saúde Pública Harvard T. H. sugeriu que as medidas de isolamento perdurassem até 2022. A Reuters já havia relatado que pesquisadores alemães chegaram à mesma estimativa. O Prof. Dr. Lothar Wieler, do Robert Koch Institute, Berlim, anunciou em coletiva de imprensa que a pandemia duraria 2 anos, quando 60-70% da humanidade estiver imunizada. Este cálculo já se mostrou otimista. Os sistemas de saúde não aguentam este ritmo. Para não ocorrer uma mortandade maciça, o avanço da pandemia precisa ser mais lento, e a imunidade de rebanho vai demorar mais para 4 ou 5 anos, lá por 2025 ou 2026.
Este cálculo da duração da pandemia COVID 19 é baseado no novo corona vírus não sofrer mutações. John Rose, PhD, Professor Emeritus e pesquisador sênior do Depar-tment of Pathology, Yale Medicine, atualmente trabalhando numa vacina, disse que as sequências genéticas dos vírus circulando na China e resto do mundo são muito parecidas, sugerindo pouca mutação.
Ainda de acordo com estas instituições, sem vacinas existem 3 cenários possíveis para a duração da pandemia COVID 19. No primeiro a onda da primavera dos EUA e outono do Brasil será seguida por pequenas ondas durante um período de pelo menos 2 anos. A intensidade destas ondas dependerá da qualidade das medidas de atenuação e mitigação de lockdown, máscaras e distanciamento social. O principal método, testagem rápida e isolamento dos infectados e seus contatos, não está sendo possível em quase nenhum país. O melhor cenário, então, é a pandemia arrefecendo em 2022 e 2023.
O segundo cenário para uma previsão da duração da pandemia COVID 19 é como aconteceu com epidemia de influenza de 1918, na qual uma onda inicial foi seguida de uma segunda onda pior, depois uma terceira e quarta ondas, cada uma ocorrendo a cada 3-6 meses.  Neste caso, colapso do sistema de saúde seria evitado por medidas drásticas como as desta primeira onda.
O cenário final é pouco diferente. A atual primeira onda pode ser seguida por uma fogueira lenta de transmissão sem um padrão claro de onda. Como no primeiro cenário, os surtos regionais terão intensidade variando com as medidas de segurança implementadas.
O relatório CIDRAP conclui que, desde que pelo menos uma forma de atenuação e mitigação seja implementada, devemos estar preparados para mais de 24 meses de atividade significante do COVID-19 com surtos regionais em hotspots em várias áreas geográficas. Conforme a pandemia perde a força, o SARS-CoV-2 continua a circular na população humana, com um padrão sazonal de intensidade progressivamente menor, como já ocorreu com os beta coronavírus OC43 e HKU1, assim como pandemias passadas de influenza. Ou seja, sem vacinas não há solução, mesmo sem mutações do vírus.
https://www.bloomberg.com/news/features/2020-06-18/we-will-be-living-with-the-coronavirus-pandemic-well-into-2021
A solução da situação de pandemia-endemia realmente virá com as vacinas. Porém, estas não serão uma bala de prata que solucionaria o problema assim de uma hora para outra, como dizem políticos e o público em geral acredita. Ao contrário do que ainda ouvimos em todo lugar, a pandemia não vai passar. A solução das vacinas é lenta, demora vários anos, e ainda não está equacionada. Já existe uma intensa briga política internacional. Os países ricos querem pagar mais e comprar vacinas para suas populações.
https://noticias.uol.com.br/colunas/jamil-chade/2020/07/09/plano-para-imunizar-o-mundo-se-transforma-em-intensa-disputa-politica.htm
Em um cenário altamente otimista para uma previsão da duração da pandemia COVID 19, caso a OMS consiga equacionar a distribuição das vacinas, os profissionais de saúde serão vacinados em 2021. Ficarão para 2022 os grupos de maior risco, e para 2023 a população em geral. Ocorrerá tráfico de vacinas, e alguns fabricantes não resistirão à tentação de cobrar preços exorbitantes para vacinar quem pagar mais. Em resumo, esta situação da balbúrdia sanitária de pandemia e endemia com surtos regionais vai durar vários anos, e ainda não tem uma solução objetivamente demonstrada.

Dr. Paulo Bittencourt - neurologista de adultos e crianças, interessado em difundir conhecimentos de saúde







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1 comentários


Chrys

29/07/2020 - 08:30:14

Bom dia querido José carlos, sou uma ouvinte sua, gosto muito da sua programação diária, todas as informações trazidas para nós ouvintes, em especial gosto muito do momento com Dr Paulo. GRATIDÃO ❤️🙏🌹💎


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