O mundo do trabalho passa por transformações profundas. O avanço da tecnologia, as mudanças sociais e o surgimento de novas demandas impactam diretamente as ocupações que conhecemos hoje.
Em meio a esse cenário, o relatório “Futuro dos Empregos 2023”, do Fórum Econômico Mundial, traz um alerta importante: diversas profissões em extinção, e a tendência é que esse movimento se intensifique até 2030.
O estudo, baseado na percepção de empregadores de todo o mundo, aponta quais cargos devem crescer, permanecer estáveis ou desaparecer nos próximos anos.
Para quem está prestes a fazer vestibular, escolher um curso técnico ou profissionalizante, ou mesmo considerar uma transição de carreira, o documento é um recurso valioso para repensar os rumos profissionais.
Profissões com maior tendência de queda até 2030
De acordo com o Fórum, essas são as 15 profissões com maior tendência de queda:
Escriturários dos Correios.
Caixas de banco e escriturários relacionados.
Escriturários de entrada de dados.
Caixas e escriturários de bilheteria.
Assistentes administrativos e secretários executivos.
Trabalhadores de impressão e atividades relacionadas.
Escriturários de contabilidade, escrituração e folha de pagamento.
Escriturários de registro de materiais e estoque.
Atendentes e condutores de transporte.
Vendedores porta-a-porta, jornaleiros e ambulantes.
Designers gráficos.
Ajustadores, examinadores e investigadores de sinistros.
Oficiais de justiça.
Secretários jurídicos.
Operadores de telemarketing.
Essas funções estão entre as mais ameaçadas devido ao avanço de tecnologias como inteligência artificial (IA), automação de processos, digitalização de serviços e mudanças nas preferências dos consumidores.
Muitas delas envolvem tarefas repetitivas, que podem ser facilmente realizadas por sistemas automatizados.
Profissões que deixaram de existir
Não é a primeira vez que o mercado de trabalho enfrenta uma revolução. Ao longo da história, diversas profissões deixaram de existir. Telefonistas, linotipistas, operadores de mimeógrafo e atores de rádio são apenas alguns exemplos.
A evolução profissional é uma constante. Por isso, identificar as profissões em extinção é também uma forma de compreender que cada fim abre espaço para novos começos.
A tecnologia não apenas elimina cargos, mas cria outros, com novas exigências, competências e possibilidades de atuação.
Profissões que já mostram sinais de extinção
Além do que foi listado pelo Fórum Mundial, outras ocupações já apresentam sinais de obsolescência:
Corretor de imóveis: plataformas digitais já substituem grande parte do processo de compra e aluguel.
Caixas de supermercado: sistemas de autoatendimento e carrinhos inteligentes são cada vez mais comuns.
Secretariado: sistemas de agendamento automático e assistentes virtuais já executam várias funções do cargo.
Taxistas: os apps de transporte remodelaram a mobilidade urbana, substituindo o modelo tradicional.
Atendentes de banco: a digitalização bancária e os bancos 100% online reduzem drasticamente a necessidade de atendimento presencial.
O que impulsiona essas mudanças?
O relatório destaca cinco grandes forças que estão redesenhando o mercado de trabalho:
Inteligência Artificial e Machine Learning
Automatização e Robotização
Digitalização e plataformas online
Mudanças demográficas e comportamentais
Sustentabilidade e transição verde
Esses elementos afetam todos os setores da economia e exigem dos profissionais uma adaptação constante, com foco em educação continuada e requalificação.
Novas profissões ganham espaço
Ao mesmo tempo em que algumas funções desaparecem, outras emergem. Conheça cinco profissões que prometem ser cada vez mais relevantes:
Walker/Talker: profissionais que fazem companhia virtual para idosos, promovendo interações regulares e apoio emocional.
Diretor de portfólio genômico: especialistas em estratégias para desenvolvimento de produtos biotecnológicos.
Alfaiate digital: cria roupas personalizadas a partir de cabines digitais e tecnologias de realidade aumentada.
Facilitador de TI: constrói e gerencia ambientes virtuais personalizados para colaboração e reuniões.
Técnico de saúde assistida por IA: atua em hospitais e clínicas operando tecnologias inteligentes na medicina.
Essas novas carreiras se apoiam fortemente na tecnologia, mas também exigem habilidades humanas, como empatia, comunicação e criatividade.
O papel da educação na transição profissional
Em um cenário de tantas mudanças, a educação se torna a principal ferramenta para acompanhar as tendências do futuro. Universidades, escolas técnicas e plataformas online precisam se adaptar para oferecer formações alinhadas às demandas emergentes.
Para estudantes, isso significa escolher caminhos que desenvolvam competências como:
Pensamento crítico e resolução de problemas.
Habilidades digitais e tecnológicas.
Inteligência emocional.
Capacidade de adaptação e aprendizado contínuo.
Profissões em extinção: como se preparar?
Ignorar as transformações do mercado pode ser um erro caro. Por isso, quem atua ou deseja atuar em profissões com tendência de queda precisa buscar formas de reinvenção. Algumas estratégias são:
Buscar formação complementar.
Atualizar-se em tendências tecnológicas.
Investir em redes de networking.
Conhecer novas ocupações em crescimento.
Reavaliar constantemente a gestão de metas profissionais.
O futuro do trabalho é agora
O futuro do trabalho já começou. As profissões em extinção são apenas um reflexo das transformações profundas em curso.
Cabe aos profissionais, estudantes e empresas se prepararem para um novo mundo, onde a flexibilidade, o conhecimento e a capacidade de evoluir serão as maiores vantagens competitivas.
Em vez de temer o que está por vir, é hora de abraçar as mudanças e transformar o desafio em oportunidade.
Kelly Gonçalves
Especialista em Gestão Comportamental, facilitadora e responsavel pela Formação Analista Comportamental Profiler na Sólides.